sexta-feira, 5 de agosto de 2016

Estopim (Conto)


A troca de pins e acabou. Seu sorriso se estende até as orelhas. Me levanto da cadeira e vou seguindo a sua direção com um sorriso igual ou até maior que o dele. Nosso olhos se cruzam e assim permanecem até a visitante tocar lhe o braço e atrair a sua atenção. Meu passo diminui e o sorriso vacila. Continuo o meu caminho para não parecer uma tola e nem denunciar nossa ligação.
Passo ao seu lado e desejo um simples parabéns e vou cumprimentar o novo presidente do clube. A garota grudou ao seu lado e o que me resta é aguardar o fim da noite.
— Parece que a novata gostou mesmo do Gustavo. Acha que pode rola alguma coisa entre eles? – olhei na mesma direção que a Marcela e notei o quanto eles estavam próximos um do outro. Isso me desagradou totalmente. Tive que lutar muito contra o meu reflexo de fechar a cara e responder educadamente o que nossa companheira de clube me perguntava sem demonstrar uma gota do ciúme que estava sentido no momento.
— Eu não sei. Fizeram amizade bem rápido. Ouvi boatos de que ele estava com alguém. Até quando ela fica mesmo?
— Mais três meses, que é quando acaba o treinamento dela.  – apenas assenti. – ela me disse que está empolgada para saber como é as nossas reuniões. Serio? Eu não ouvi nada sobre ele estar com alguém. – três meses de tortura eu não aguento.
Tratei de mudar o rumo da conversa com a Marcela, pois mais alguns minutos falando de um possível romance do cara que estou saindo com outra garota iria denunciar totalmente nosso caso secreto.
Ele me ignorou a noite toda dando assunto para a novata. O que me deixou mais frustrada foi o fato de não poder dizer ou demonstrar algo para não denunciar o meu quase relacionamento de cinco meses, que EU, pedi a ele para não contar aos nossos companheiros de clube.
Temos reunião todos os sábados de manhã e sempre temos ações de companheirismo, ou seja, churrascos, barzinhos e outros encontros para nos divertir e tomar uma cerveja. Ele sempre me dá carona de ida e volta por morarmos próximos um do outro e isso fez com que nos aproximássemos bastante. Em uma dessas caronas depois de sete meses que eu estava no clube, nos beijamos. Depois da terceira vez ficando durante a semana antes da próxima reunião eu pedi que não contássemos nada ao pessoal. Porque se não desse certo ninguém precisava ficar especulando e nem teria o clima chato, além do que ficaria entre nós dois. E nisso já se passaram cinco meses.
 Nós pegamos sempre às escondidas, nossos pais e irmãos sabem mas não namoramos oficialmente. Bom o pedido nunca rolou. E já nem o espero mais, cansei de esperar. Está cômodo para nós essa situação onde as cobranças são menores.
Finamente as festividades de posse haviam acabado e é a hora de ir embora. Espero que ele esteja preparado para ouvir que não gostei de ver ele de chamego com outra. Isso nunca tinha acontecido e agora que aconteceu vejo que realmente estou gostando cada dia mais dele e que tenho ciúmes do que eu acredito ser meu.
— Vamos em bora Fer?
— Vamos. Mas antes tenho que ir ao banheiro tudo bem?
— Te espero lá em cima. – assenti e me direcionei ao banheiro me despedindo de quem encontrava no caminho.
Depois de ter dado um retoque no visual fui encontrar meu gatinho. A galera estava em uma rodinha conversando. Quando me viu ele começou a despedir de todo mundo. Fui a até a rodinha e fiz o mesmo. Quando cheguei perto do carro vi a novata esperando que ele destravasse a porta da frente.
— Ué, não vamos só nós dois Gu.
— A Fer sempre vem e volta comigo. E Fer vou deixar a Babi no hotel ok? – A linda me fuzilou com o olhar. Já dentro do carro ela voltou a abrir a boca.
— Você mora perto dele Fernanda?
— Sim. Mas hoje estou indo direto para a casa dele. – foi impossível me segurar, essa menina já me irritou demais por apenas uma noite. Meu olhar cruzou com o dele pelo espelho retrovisor e pude notar a confusão se passando em sua cabeça. Afinal quem pediu para se manter nas sombras fui eu.
O resto caminho até o hotel foi silencioso e perturbador. Ele até tentou amenizar o clima mas não deu muito certo porque eu estava monossilábica e ela até tentava manter o papo mas ele sempre direcionava o assunto para me incluir e eu o deixava morrer.
Na hora de descer a abusada foi para dar um abraço nele eu a cortei e começando a mexer no radio ficando entre os dois bancos. Demorou alguns minutos para ela entender que esse abraço é desnecessário. Finalmente ela saiu do carro e eu já pulei para o banco da frente.
— Por que você fez essa cena toda Fernanda? – ele me olhou zangado.
— Você não tem o direito de ficar bravinho. Essa garota não parou de dar em cima de você a noite toda.
— Isso é coisa da sua cabeça. Não se faça de doida. E até onde eu sei o nosso combinado é de não demonstrar nada na frente dos nosso amigos. E quem pediu isso foi você.
— Eu sei. Acha que foi fácil ficar noite inteira lutando contra a vontade de esfregar na cara dessa Barbara que você já tem dona? E ela não é nossa amiga.
— Eu tenho dona? – essa pergunta foi o estopim pra mim. Ele não falou de uma forma que seria só mais uma provocação saudável.
— Desculpa então Gustavo. Acabei de lembrar que nosso “acordo” é não mostrar aos nossos amigos que estamos ficando, mas que a exclusividade não estava incluída no pacote. Tudo bem. Não precisa se preocupar. Chegando na sua casa eu pego as minhas coisas e está tudo acabado. Pode voltar correndo para aquele hotel.
— Não é assim que as coisa funcionam Fernanda. Pisa no freio.
— Como não Gustavo? — Fiquei tão focada na nossa discussão que mal notei que havíamos chegado na casa dele. – quando lhe propus que ficássemos as escondidas é por que tinha medo da opinião dos nossos amigos caso não desse certo. Mas olha só, estava tudo perfeito a cinco meses. Até hoje.
— Até o seu ciúmes aparecer. Não é por esse motivo bobo que o que temos tem que chegar ao fim. Eu amo passar o tempo com você. — Escolha errada de palavras.
—Passar o tempo? Então é isso que eu sou pra você? Um passatempo? Agora entendi o motivo de nunca ter me pedido para assumirmos o temos, ou o que achei que tínhamos.
— É isso que você quer? Eu escolhi as palavras erradas. Você sabe muito bem que eu te amo.
— Não Gustavo. Eu não sei. – tentei segurar minhas lagrimas, mas foi impossível. – você nunca me disse isso. Eu queria que você quisesse assumir algo comigo. Que partisse da sua vontade, não da minha pressão. Mas já percebi que isso não vai acontecer. — coloquei as mãos em volta do seu rosto e olhei no fundo dos seus olhos. – Eu cansei de esperar. Essa noite acabou sendo o estopim para o que eu vinha protelando de te falar. Eu te amo. Mas cansei de esperar uma atitude sua. – Dei-lhe um último e profundo beijo.
Sai do carro e me dirigi ao seu quarto. Recolhi todas as minhas coisa que ali estavam enquanto ainda mantinha uma fagulha de esperança de que ele viria atrás de mim para resolvermos essa situação.
Mas isso não aconteceu. E quando passei pela garagem com minhas coisa, mais de meia noite, ele ainda estava sentado no carro. Ele nem se mexeu ao me ver indo embora.

 

15 comentários:

  1. Gente, eu adoro esses contos/crônicas. Continue sério, ficou maravilhoso esse!!!
    Vou até mandar para umas amigas
    Beijos

    blog-myselfhere.blogspot.com.br

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  2. Olá!
    Eu adorei esse conto!
    Tô com raiva do Gustavo, nem pra fazer alguma coisa --' hahaha!
    Amei o conto, continue escrevendo!
    Beijos!

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  3. Oiii
    Amei seu conto! Você escreve super bem, parabéns!
    Fiquei curiosa para saber o que vai acontecer com eles, escreva uma continuação!!

    Beijos
    http://www.sacudindoaspalavras.com.br/

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  4. Oioi!
    Gostei muito do conto!
    Fiquei com raiva da Fernanda por querer esconder o relacionamento dos dois, achei muito imaturo da parte dela, mas fiquei com mais raiva ainda do Gustavo por ele não fazer nada enquanto ela ia embora. Tem continuação essa história?
    Outra coisa: Isso é só um conto mesmo? Porque parece um relato de uma noite dessas... rsrsrs

    Beijos!

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  5. Olá tudo bem?

    Gostei muito do conto, a sua narrativa é leve e bem veloz. O gênero do conto não é o meu forte mas achei bem interessante como você escreveu, não tenho muita experiências com romances, vou confessar, é o gênero que menos gosto, mas seu conto é muito bom.

    Abraços, Carlos.

    http://triplicenerd.blogspot.com.br/
    http://blogchuvadeletras.blogspot.com.br/

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  6. Ah mas burra foi a Fernanda, peraí... Pediu que não contasse a ninguém e nem interessa os motivos, o carinha aceitou numa boa e pelo que ouvi da conversa com a Marcela, quanto tempo mesmo leva um "relacionamento" com o Gustavo?
    Pelo amor! Muda logo esse jogo.
    Curti muito lendo.
    Bjs

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  7. oi ^^
    pow gostei do conto (ainda mais por ser curtinho). as vezes me apego muito em contos curtos e fico em devaneio, enfim. apear de não ser o meu tipo preferido de conto (geralmente leio mt fantasia), gostei. Seguindo o Coelho Branco

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  8. Oie
    que legal o conto, é bem rápido e interessante, eu adoro essas coisas para dar uma distraída no meio do dia, parabéns pela escrita

    Beijos
    http://realityofbooks.blogspot.com.br/

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  9. Adorei por ter um Gustavo na história porém o odiei, um babaca, haha!
    Você escreve muito bem, parabéns!
    Continue!!

    Beijos
    http://www.mundoinvertido.com/

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  10. Oiii, como vai?
    Gente sou completamente apaixonada por esse tipo de conto, com toda certeza amei ter tido a oportunidade de realizar a leitura e adorei a ideia de trazê-lo ao blog.
    Beijinhos

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  11. Mano, e aí?Oque vai acontecer com eles senhor?Tem mais depois?Amei,amei,ameeei, adoro romances assim.

    bjs

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  12. Conto maravilhoso e bem fluido fora que deixou com vontade de um "quero mais"

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  13. Oiii!
    Gosto muitooo de contos e gostei bastante desse.
    E a continuação? Vai ter? kkkkk
    Beijoos

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  14. Olá,
    Ótimo conto, gostei de ler. Continue a escrever.

    http://euinsisto.com.br

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  15. Olá, gosto muito de ler contos, gostei bastante desse que você apresentou...parabéns!

    Muito sucesso para você, aguardando os próximos ;)

    Abraços

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